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terça-feira, 9 de julho de 2013











quinta-feira, 30 de maio de 2013

Pesos, medidas e opiniões



Os três vídeos que exibo neste post levantam discussões interessantes sobre o que vivenciamos na nossa cultura hoje: uma eclosão de grupos minoritários que, justamente por se enquadrarem como tal, acreditam possuir privilégios sobre os demais grupos (utilizo a palavra "privilégio", pois tudo aquilo exigido por tais grupos já são direitos constitucionais). Com isso,  temos um sem número de grupo que procuram firmar sua opinião em detrimentos da dos demais. É nesse ínterim que aparece a reinvidicação por "justiça social", "respeito" e todos aqueles atributos que acreditam lhes serem negados.

Antes de tudo, gostaria de deixar claro aqui que não tenho a pretensão de reduzir todos esses debates a um único viés, por exemplo, o debate das cotas raciais e a liberação do casamento gay. Reconheço que tais discussões possuem dimensões distintas, embora, de fato, possuam como ponto de partida os pontos que mencionei anteriormente. O problema, meu caro amigo, é determinar exatamente quais grupos devemos atender e por quais razões ou, mais ainda, por que ignorar aquilo que outros grupos também requisitam. Segue-se daí, a pergunta fundamental, como lidar com tais medidas e pesos sem incorrer no risco de um relativismo moral? Se as leis existem para que incidam sobre todos, por que então a necessidade de criar leis que defendam somente um determinado grupo? Existem princípios fudnamentais que devem nortear tais decisões? Como determinar qual grupo deve ter suas necessidades aceitas sem que se acarrete a "coitadização" de todos os outros, isto é, sem evitar o velho, "ah, se eles têm, então eu também quero"?


Os dois primeiros vídeos, feitos por um cara que não sei quem é, levantam muita bem essa problemática e as consequências que decorrem desse processo de "coitadização", sobre como os pesos e as medidas que reivindicamos são muitas vezes ignorados e enxergamos apenas um lado da moeda.








O próximo vídeo se trata da entrevista do professor de filosofia Luiz Felipe Pondé, em que este debate sobre a imposição do politicamente correto e o risco de tal medida obscurecer nossa visão de mundo. Proibir o uso de certas palavras como uma forma de impedir alguém de enxergar o outro como inferior, não parece ser a medida mais correta, uma vez que apenas mascara a visão que as pessoas têm umas das outras. É esse o tipo de problema que pensava Kant, ao se perguntar se a moralidade de uma ação se encontra na ação em si ou na intenção que a motivou, isto é,  se chamo alguém de afro-descendente mesmo com a intenção de o denegrir, não estarei sendo preconceituoso? Mais uma vez gostaria de reiterar que não partilho de todas as minhas opiniões expostas nos vídeos, no entanto, apenas reconheço a importância de se discuti-las.







quinta-feira, 21 de março de 2013

Sobre cotas raciais


sábado, 2 de fevereiro de 2013

O caminho da perdição.



Ferréz é paulista, mora numa favela no Capão Redondo e o título de seu primeiro livro é 'Deus foi almoçar'. O que me chamou atenção em sua entrevista foi seu gosto por literatura marginal, um tipo de literatura que nem sempre é reconhecida no ambiente acadêmico, mas que sempre me atraiu pela franqueza e visceralidade, característica que preenche um bocado daquilo que espero da literatura. O que chama atenção na escrita de Ferréz é sua procura por tratar do ambiente em que está inserido, revelando-o de uma maneira extremamente transparente. Na entrevista abaixo, revela que tomou o gosto pela leitura fazendo aquilo que ia na contramão do que a escola ensinava. Feliz/infelizmente, também foi assim que tomei o gosto pela leitura; como disse o Carpinejar, "da escola, o que mais aprendi foi a voltar pra casa".  Embora eu não partilhe de todas as ideias do Ferréz, sobretudo do seu ódio contra o capitalismo, sistema etc, compartilho aqui sua entrevista por causa de sua mensagem final/total: só a leitura consegue nos tirar da idiotice crônica que carregamos desde o nascimento, só um bom livro é capaz de nos fazer mudar nosso ponto de vista e olhar o mundo de um modo diferente. No mais, creio valer a pena dar uma olhada:





 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Vídeos para refletir.


Um Manual de Instrução para a Vida - Um bela reflexão sobre o respeito às diferenças.


Eu, o lápis - Uma reflexão sobre o processo de produção dos objetos em nossa sociedade, uma defesa da livre iniciativa entre indivíduos de uma sociedade.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O Princípio da Máxima Felicidade e a Ética de John Stuart Mill



A ética de John Stuart Mill (Faustino Vaz)

1. O princípio da maior felicidade

         O utilitarismo é um tipo de ética consequencialista. O seu princípio básico, conhecido como o Princípio da Utilidade ou da Maior Felicidade, é o seguinte: a ação moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número. E deve fazê-lo de uma forma imparcial: a tua felicidade não conta mais do que a felicidade de qualquer outra pessoa. Saber por quem se distribui a felicidade é indiferente. O que realmente conta e não é indiferente é saber se uma determinada ação maximiza a felicidade. Saber se a avaliação moral de uma ação a partir do Princípio da Maior Felicidade depende das consequências que de fato tem ou das consequências esperadas é um aspecto da ética de Mill que permanece em aberto.
        Apesar de haver pessoas que não o aceitam, o princípio básico dos utilitaristas é hoje central nas disputas morais. Mas há cento e cinquenta anos foi uma ideia revolucionária. Pela primeira vez, filósofos defendiam que a moralidade não dependia de Deus nem de regras abstratas. A felicidade do maior número é tudo o que se deve perseguir com a ajuda da experiência. Isto explica que os utilitaristas tenham sido reformadores sociais empenhados em mudanças como a abolição da escravatura, a igualdade entre homens e mulheres e o direito de voto para todos, independentemente de deterem ou não propriedade.

2. O que é a felicidade?

        Mill tem uma perspectiva hedonista de felicidade. Segundo esta perspectiva, a felicidade consiste no prazer e na ausência de dor. O prazer pode ser mais ou menos intenso e mais ou menos duradouro. Mas a novidade de Mill está em dizer que há prazeres superiores e inferiores, o que significa que há prazeres intrinsecamente melhores do que outros. Mas o que quer isto dizer? Simplesmente que há prazeres que têm mais valor do que outros devido à sua natureza. Mill defende que os tipos de prazer que têm mais valor são os prazeres do pensamento, sentimento e imaginação; tais prazeres resultam da experiência de apreciar a beleza, a verdade, o amor, a liberdade, o conhecimento, a criação artística. Qualquer prazer destes terá mais valor e fará as pessoas mais felizes do que a maior quantidade imaginável de prazeres inferiores. Quais são os prazeres inferiores? Os prazeres ligados às necessidades físicas, como beber, comer e sexo.
    Diz-se que o hedonismo de Mill é sofisticado por ter em conta a qualidade dos prazeres na promoção da felicidade para o maior número; a consequência disso é deixar em segundo plano a ideia de que o prazer é algo que tem uma quantidade que se pode medir meramente em termos de duração e intensidade. É a qualidade do prazer que é relevante e decisiva. Daí Mill dizer que é preferível ser um "Sócrates insatisfeito a um tolo satisfeito". Sócrates é capaz de prazeres elevados e prazeres baixos e escolheu os primeiros; o tolo só é capaz de prazeres baixos e está limitado a uma vida sem qualidade. Mas será que é realmente preferível ser um "Sócrates insatisfeito"? Mill afirma que, se fizéssemos a pergunta às pessoas com experiência destes dois tipos de prazer, elas responderiam que os prazeres elevados produzem mais felicidade que os prazeres baixos. Todas fariam a escolha de Sócrates.
     Há filósofos que consideram a distinção entre prazeres inferiores e superiores incompatível com o hedonismo. Se, como afirma o hedonismo, uma experiência vale mais do que outra apenas em virtude de ser mais aprazível, ao aumentarmos progressivamente a aprazibilidade do prazer inferior, chegaremos a um ponto em que este pesará mais do que um prazer superior na balança dos prazeres; e nesse caso, se quisermos manter o hedonismo, a distinção entre prazeres inferiores e superiores deixará de fazer sentido e terá de ser abandonada. Convido-te a imaginar que resposta poderá ser dada a esta objecção em defesa da ética de Mill.

3. A defesa de mill do princípio da maior felicidade

A prova de Mill do Princípio da Maior Felicidade consiste num argumento que parte da analogia entre visibilidade e a desejabilidade. Podemos reconstruí-lo da seguinte maneira:
  1. Ver uma coisa prova que ela é visível.
  2. Logo, desejar uma coisa prova que ela é desejável.
    A seguir a esta conclusão afirma-se:
  3. A única coisa que cada pessoa deseja como fim último é a sua própria felicidade.
  4. Logo, a única coisa que é desejável como fim último para cada pessoa é a sua própria felicidade.
    Da conclusão afirmada em 4 resulta uma outra:
  5. Logo, cada pessoa deve realizar as ações que promovem a maior felicidade.
    Que avaliação podemos fazer deste argumento? Desde logo, é provável que você note o seguinte problema: 1 não é uma razão para aceitar 2; se pode ver uma coisa, isso significa que ela é visível; mas se podes desejar uma coisa, isso não significa que ela seja desejável, isto é, que deva ser desejada. Por que razão a analogia não resulta? 
     Vejamos agora a premissa 3. Trata-se de uma premissa falsa ou pelo menos bastante duvidosa. Dizer que a felicidade é o fim último de cada pessoa significa que tudo o que as pessoas desejam é um meio para assegurar esse fim. Se desejares que as crianças sujeitas a maus-tratos recebam amor e proteção, Mill diz que queres isto como um meio para assegurar a tua felicidade. Mas a verdade é que o bem-estar dos outros tem uma importância que não depende da importância que dás à tua felicidade. Como ninguém pode negar que muitas pessoas têm preferências deste tipo, a premissa 3 é falsa. Por outro lado, pessoas deprimidas parecem por vezes não desejar a sua própria felicidade.
     E o que dizer do raciocínio que conclui 4 a partir de 3? Se pensar bem, verá que é o mesmo tipo de raciocínio que conclui 2 a partir de 1. Logo, o problema que levanta é o mesmo. Do fato de desejar como fim último a sua própria felicidade não se segue que a coisa mais desejável para ti é ver os teus desejos satisfeitos. Isso depende do tipo de desejos que você tem. Se tiver desejos violentos, o melhor para ti é abandoná-los.
     De qualquer modo, imagina que 4 é verdadeira. Será que daí se pode concluir 5? Mesmo que a tua felicidade seja a coisa mais desejável para ti, isso não implica que deves maximizar a felicidade geral. Em certas circunstâncias, a felicidade dos outros exige que sacrifiques a tua felicidade, e não que a persigas. Acresce que 5 parece contradizer 3. Ao dizer de maneira descritiva, e não normativa, que cada um deseja apenas a sua felicidade, 3 exprime um egoísmo psicológico; e nesse caso, como os seres humanos de facto apenas podem desejar a sua própria felicidade, segue-se que não lhes é possível ter como fim a felicidade geral.     

O anel de Giges - existem homens juntos?



       Para provar que só se pratica a justiça contra própria vontade e pela incapacidade de cometer a injustiça, não poderíamos fazer nada melhor do que imaginar o seguinte. Demos ao homem de bem e ao corrupto igual poder de fazer o que quiserem e os sigamos para ver aonde a paixão os vai conduzir. Surpreenderemos o homem de bem tomando o mesmo caminho do corrupto, levado pelo desejo de ter sempre mais, desejo que toda natureza persegue como um bem, mas que a lei sujeita, à força, ao respeito à igualdade. O melhor meio de lhes dar o poder de que falo é lhes emprestar o privilégio que, dizem, Giges, o antepassado do Lídio, possuiu outrora. Giges era um pastor a serviço do rei que reinava então na Lídia. Em conseqüência de uma grande tempestade e de um terremoto, o solo tinha-se fendido e uma medonha abertura tinha-se formado no lugar onde ele apascentava seu rebanho. Admirado com o que via, viu um cavalo de bronze, oco, com portinholas e, tendo passado a cabeça através de uma delas, viu um homem que estava morto, segundo toda a aparência, e cuja estatura ultrapassava a estatura humana. Esse homem estava nu; tinha somente um anel de ouro na mão. Giges o pegou e saiu. Ora, tendo-se reunido os pastores como de costume para fazer ao rei seu relatório mensal sobre o estado dos rebanhos, Giges veio à assembléia, trazendo no dedo o seu anel. Tendo tomado lugar entre os pastores, girou, por acaso, o anel de tal modo que a pedra ficou do lado de dentro de sua mão e, imediatamente, ele se tornou invisível para seus vizinhos, e falava-se dele como se tivesse partido, o que o encheu de espanto. Girando de novo seu anel, virou a pedra para fora e imediatamente tornou a ficar visível. Atônito como o efeito, repetiu a experiência para ver se o anel tinha realmente esse poder e constatou que, virando a pedra para dentro, tornava-se invisível; para fora, visível. Tendo essa certeza, fez-se incluir entre os pastores que seriam enviados até o rei como delegados. Foi ao palácio, seduziu a rainha e, com a sua ajuda, atacou e matou o rei; em seguida, apoderou-se do trono. Suponhamos, agora, dois anéis como esse; coloquemos um no dedo do homem justo e o outro no do injusto; segundo o que tudo indica, não encontraremos nenhum homem de caráter suficientemente forte para permanecer fiel à justiça e resistir a tentação de se apoderar do bem de outro, já que poderia, impunemente, pegar no mercado o que quisesse, entrar nas casas para copular com quem bem lhe parecesse, matar uns e quebrar as armas de outros, em resumo, poder proceder em tudo como um deus entre os homens. Quanto a isso, nada o distinguiria do corrupto, e todos os dois tenderiam para o mesmo fim, e poderíamos ver nisso uma grande prova de que não se é justo por escolha, mas por imposição, visto que não vemos a justiça como um bem individual, pois sempre que julgamos poder ser injustos, não deixamos de o ser.
               Todos os homens, com efeito, crêem que a injustiça lhes é muito mais vantajosa individualmente do que a justiça, e têm razão para acreditar nisso, se nos referimos àquele que é partidário da doutrina que exponho. De fato, se um homem que tivesse um tal poder não consentisse nunca em cometer uma injustiça e em apoderar-se de um bem de outrem, seria considerado por aqueles que estivessem a par do segredo como o mais infeliz e o mais insensato dos homens. Nem por isso deixariam de elogiar em público a sua virtude, mas com o intento de se enganarem mutuamente, no temor de sofrerem, eles mesmos, alguma injustiça. Era isso o que tinha a dizer sobre o assunto.
Platon, Oeuvres completes, t. VI, La republique, livro II, texto estabelecido e traduzido para o francês por Émile Chambry, ©Las Belles Lettres, Paris, 1932
    Trecho retirado de: Oficina de Filosofia
 



      A história do anel de Giges aparece pela primeira vez no famoso diálogo A República, escrito pelo filósofo grego Platão.  Tal história serve para ilustrar uma discussão fundamental acerca da natureza humana e os princípios éticos, o homem é bom por natureza ou todos os homens são naturalmente injustos? Ao mostrar que Giges, um homem de boa índole, ao adquirir um anel que lhe dava o poder de ficar invisível resolveu cometer várias injustiças, o personagem do diálogo de Platão, Glauco, afirma que o homem só pratica a justiça por ser incapaz de cometer a injustiça sem ser punido. No entanto, é fato que todos acreditam que há mais vantagens na injustiça do que na justiça. Assim, embora os homens concordem que é correto punir Giges por suas ações, todos agiriam do mesmo modo caso possuíssem o anel. A distinção entre homem bom e mau, portanto, não se sustenta segundo a história de Giges, pois todos os homens são potencialmente corruptos, bastando que lhes seja dada a oportunidade de agir de tal modo sem que haja a possibilidade de punição. Mais ainda, um dos pontos principais da história é a necessidade do estabelecimento de regras que determinem a ordem social, dado que nenhum homem é virtuoso voluntariamente. O homem só pratica o bem porque não gostaria que alguém lhe praticasse o mal, embora todos possuam a mesma natureza, afirma Glauco. 


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As etapas do método científico

       De um modo simplista, podemos resumir as etapas do método científico em quatro:


  • Levantar hipóteses que visam explicar a causa da ocorrência de um certo fenômeno.
  • Bolar experimentos que tentar reproduzir o fenômeno a ser explicado a fim de se coletar dados.
  • Faz-se previsões sobre os dados a serem coletados com os experimentos, desnecessário dizer que tais previsões devem se basear nas hipóteses que estão sendo testadas.
  • Formulação de uma teoria. Uma vez que as hipóteses são corroboradas pelos dados coletados com os experimentos, elas são validadas com o status de uma teoria científica.








Para mais, acesse:

Wikipedia - Filosofia da Ciência

terça-feira, 31 de julho de 2012

Filosofia e Ciência


     Filosofia da ciência é o campo da pesquisa filosófica que estuda os fundamentos, pressupostos e implicações filosóficas da ciência, incluindo as ciências naturais como física, biologia, e as ciências sociais, como psicologia e economia¹.

     Embora a definição acima nos apresente uma dica bastante útil sobre a natureza da relação entre a Filosofia e a Ciência, um leitor leigo certamente se perguntaria, o que ele quis dizer com "fundamentos, pressupostos e implicações filosóficas da ciência"?. Nos dias atuais, é certo que todas as pessoas, com raríssimas exceções, possuem alguma noção, ainda que vaga, do que seja a ciência, de sua importância para o avanço tecnológico, para a descoberta da cura de certas doenças e de como a nossa sociedade hoje necessita de sua atividade e produtividade. Em decorrência disso, o conhecimento produzido pela ciência alcançou um grau de segurança quase indubitável, sendo responsável por determinar a nossa visão acerca do mundo e do Universo.

     No entanto, é certo que mesmo com toda a unanimidade do conhecimento científico, poucas pessoas sabem o que é responsável por lhe conferir tanta segurança. Muitas delas sabem devem ter ouvido falar no tal "método científico" e sabem que este é utilizado para testar teorias a partir de experimentos que venham a confirmá-las (ou refutá-las, se for o caso). Entretanto, o que é esse tal método? Como procedem os cientistas quando os dados obtidos com os experimentos não confirmam as hipóteses? Que fazem quando nem toda a comunidade de cientistas concorda sobre a interpretação dos dados obtidos? Ou, mais ainda, que fazem eles quando esses dados confirmam hipóteses opostas? Que faz com que uma hipótese alcance o status de teoria ou lei? Qual a diferença entre elas? Qual a diferença entre ciência e aquilo que não é ciência? É possível fazer ciência sem experimentos? Toda teoria nunca falha, ou ela possui um limite de aplicação? E se o suposto método científico não for suficiente para caracterizar o que é uma teoria científica? Por que os cientistas podem formular a existência de entidades não visíveis como um átomo? Toda tecnologia produzida pela ciência é útil para a sociedade? Que dizer das pesquisas que afetam a liberdade individual, como é o caso das drogas para o aborto, eutanásia, anabolizantes, doping genético etc? 

         Pensar nas respostas para essas perguntas não cabe somente aos cientistas, mas também ao filósofo e refletir sobre elas significa tentar entender os "fundamentos, pressupostos e implicações filosóficas da ciência". Aí onde entra a Filosofia da Ciência e sua importância.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cuidado com quem lê.


Drummond e A Rosa do Povo

Guernica - Pablo Picasso
      1945. O mundo parecia dar saltos em direção à um abismo. Embora a segunda Guerra Mundial tivesse acabado, nesse mesmo ano se iniciava os ataques nucleares as cidades de Hiroshima e Nagasaki pela Força Aérea dos Estados Unidos da América. Há menos de uma década, o mundo tinha vivido uma Grande Depressão com a queda da bolsa de Nova York em 1929.  No Sul dos EUA, os negros embalavam blues e jazz em uma mistura que posteriormente criou o que hoje se chama de Rock and Roll. O Brasil suspirava ante a possibilidade de saída de um regime ditatorial para um governo democrático. Carlos Drummond de Andrade publicava seu livro A Rosa do Povo.
      
      Marcado pela influência dos Modernistas brasileiros e estrangeiros, a rosa do povo revela um Drummond político e agitador. Seus poemas são reflexões, provocações contra a monotonia  dos valores vigentes de sua época, contra o silêncio do povo em face das repressões da ditadura, contra os padrões estéticos que dominam a composição do poema. O Drummond que fala em a rosa do povo é plural, é um amálgama das dimensões que constituem o homem contemporâneo, o homem político, funcionário, ser humano, idealista, poeta, empregado, marido, leiteiro, religioso. Não à toa, os poemas que constituem o livro tratam de assuntos díspares e abrangentes, embora seu fio condutor seja sempre o homem da rua (como diria Fichte) e o cotidiano, isto é, o fio condutor é uma reflexão sobre a condição  do homem face os poderes da política, das ideologias, dos padrões e das demandas sociais que nasceram com o século XX. 

        Uma pergunta frequente surge nas entrelinhas de seus poemas, qual o papel da poesia  (ou da arte) frente a existência humana? E a sua resposta se delineia na linguagem de cada poema ao usar palavras como fezes, esperança, caos, náusea, cotidiano, rua. Assim, a poesia parece carregar a responsabilidade da denúncia, isto é, de pôr o homem fronte o que se recusa enxergar. O tom existencial (ou o tema existencialista) é uma tônica comum em cada verso. Para Drummond, a poesia é o grito reacionário contra a náusea que carrega o imutável.

"Uma flor nasceu na rua!"  (Carlos Drummond de Andrade)
    

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O Utilitarismo de John Stuart Mill

John Stuart Mill (1806-1873)
    
      Filósofo britânico, economista, teórico da moral, da política e administrador, foi o mais influente filósofo Inglês do século XIX. Defendia uma visão política liberal da sociedade e da cultura. Em seu pensamento, sobretudo em sua ética, tenta defender o direito humano acima de tudo, dando autonomia as vontades individuais, preconizando a felicidade como forma de bem estar comum. Sua ética é entitulada Utilitarismo, a qual defende que o fim último de toda ação humana deve ser a felicidade.

1. O princípio da maior felicidade
O utilitarismo é um tipo de ética consequencialista. O seu princípio básico, conhecido como Princípio da Utilidade ou da Máxima Felicidade, é o seguinte: a acção moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número de pessoas. Devendo ser feita de modo imparcial: a tua felicidade não conta mais do que a felicidade de qualquer outra pessoa. Saber por quem se distribui a felicidade é indiferente. O que realmente conta e não é indiferente é saber se uma determinada ação maximiza a felicidade. Assim, é necessário conhecermos as consequências de nossas ações para sabermos se ela acarretará, ou não, felicidade.
          Apesar de haver pessoas que não o aceitam, o princípio básico dos utilitaristas é hoje central nas disputas morais. Mas há cento e cinquenta anos foi uma ideia revolucionária. Pela primeira vez, filósofos defendiam que a moralidade não dependia de Deus nem de regras abstractas. A felicidade do maior número é tudo o que se deve perseguir com a ajuda da experiência. Isto explica que os utilitaristas tenham sido reformadores sociais empenhados em mudanças como a abolição da escravatura, a igualdade entre homens e mulheres e o direito de voto para todos, independentemente de deterem ou não propriedade.

A Ética Kantiana

Immanuel Kant (1724  - 1804)
        Kant nasceu em Konigsberg, no ano de 1724 e morreu em 1804 sem nunca ter saído da sua cidade natal. Foi um dos últimos europeus a dominar toda a ciência do seu tempo, incluindo a física, a geografia, a filosofia e a matemática. Lecionou na universidade de Konigsberg. Sua obra possui uma vasta importância para a Filosofia, por muitos é considerados o maior pensador de todos os tempos, sua obra mais importante é A Crítica da Razão Pura, embora o mesmo tenha escritos sobre quase todos os ramos da Filosofia. Não à toa, sua teoria ética também se enquadra como uma das mais influentes e importantes.




A Ética de Kant
1. A ética é um sistema de regras absolutas;
2. O valor moral das ações provém das intenções com que são praticadas;
3. As regras morais devem ser respeitadas independentemente das conseqüências;
4. As regras morais são leis que a razão estabelece para todos os seres racionais.

Regras Absolutas
1. As obrigações morais são absolutas porque não estão sujeitas a exceções, mesmo se aplicá-las tem conseqüências negativas.
2. Esta é uma característica das morais deontológicas (teorias baseadas no dever): agir moralmente consiste em respeitar direitos. Agir de forma a promover as melhores conseqüências não é permitido se implicar a violação de um direito.
3. A obrigação de não mentir não varia conforme as circunstâncias.

Ações e Intenções
1. A mesma ação pode ser praticada com diferentes intenções: posso ajudar um amigo por compaixão, para obter um benefício (por exemplo, para ficar bem visto) ou por sentir que tenho esse dever.
2. Para determinar o valor moral de uma ação é preciso saber a intenção com que foi praticada.
3. Segundo Kant, ajudar um amigo só tem valor moral se isso tiver sido feito em nome do dever. Ainda que se ajude o amigo por mera compaixão, ou qualquer sentimento de pena, sua ação ainda não pode ser classificada como moral. Para Kant, toda ação moral deve ser motivada pelo senso de dever.

Moral e sentimentos
• As obrigações morais não dependem de condições; logo, apenas têm valor moral as ações praticadas em nome do dever.
• Uma ação praticada por compaixão, por exemplo, não tem valor moral porque a sua máxima seria apenas hipotética: as máximas morais são absolutas.
• Ajudar uma pessoa só por compaixão significa que estamos a seguir a máxima “Ajuda o próximo na condição de sentires compaixão”.
• Se esta condição deixasse de se verificar, a obrigação desaparecia. Mas o dever de ajudar o próximo existe mesmo se já não sentimos compaixão alguma.

Universalidade
• Agir moralmente significa seguir várias obrigações particulares como dizer a verdade, cumprir a palavra dada, não matar pessoas inocentes, não roubar, etc.
• Agir segundo estas regras é agir com base em máximas universalizáveis, ou seja, máximas que qualquer pessoa nas nossas circunstâncias poderia também seguir.
• Pelo contrário, mentir, roubar ou matar pessoas inocentes, não é permissível pois as máximas destas ações não são universalizáveis: não queremos um mundo onde todos mintam, onde todos roubem, etc.
  
"Age sempre de tal modo que o teu comportamento possa se tornar princípio de uma lei universal." (Kant)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mito e logos - Ao pessoal do 1º Ano


Povo do 1º ano, caso vocês queiram algum material complementar para estudar para a prova, vocês podem dar uma olhada nesses dois vídeos acima, ambos abordam a relação entre o mitos e a filosofia.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sobre a Revolução Egípcia de 2011

As redes sociais da Internet desempenharam papel fundamental na revolução.





 
          
A Revolução Egípcia de 2011 aconteceu como seqüência de uma revolta popular que começou em 25 de janeiro de 2011. A revolta, na qual os participantes tentaram dar ênfase a uma luta de natureza pacífica, consistia, sobretudo, em uma campanha de resistência civil que apresentou uma série de manifestações, passeatas, atos de desobediência civil e  greves trabalhistas. Milhões de manifestantes provindos de uma variedade de diferentes classes sócio-econômicas e religiosas exigiram a derrubada do regime do presidente egípcio, Hosni Mubarak. Apesar de ser predominantemente de natureza pacífica, a revolução não evitou confrontos violentos entre as forças de segurança e os manifestantes. A campanha aconteceu em lugares como Cairo, Alexandria e em outras cidades no Egito, na sequência da Revolução Tunisiana, que viu a derrubada do presidente tunisiano. Em 11 de fevereiro, após semanas de protestos populares e de certa pressão, Mubarak se demitiu do cargo.
        As queixas dos manifestantes egípcios se focavam em questões jurídicas e políticas, incluindo a brutalidade da polícia, a lei de estado de emergência, a falta de eleições democráticas, a falta de liberdade de expressão, a corrupção incontrolável, bem como questões econômicas, como o desemprego, a inflação dos preços dos alimentos, e de baixos salários mínimos. As principais demandas dos organizadores do protesto foram o fim do regime de Hosni Mubarak, o fim da lei de emergência, a liberdade, a justiça, um governo de representações não militares e o direito à palavra no que diz respeito à administração dos recursos do Egito. As greves por parte dos sindicatos dos trabalhadores aumentou a pressão exercida sobre os funcionários do governo.
       Houve pelo menos 384 mortes e mais de 6.000 pessoas ficaram feridas. A capital do Cairo foi descrita como "uma zona de guerra" e a cidade portuária de Suez foi palco de frequentes confrontos violentos. O governo impôs um toque de recolher, o qual foi desafiado pelos manifestantes e a polícia e os militares não resistiram. A presença da Central de Forças de Segurança da polícia do Egito, leais a Mubarak, foi gradualmente sendo substituída por tropas militares reprimidas. Na ausência da polícia, ocorreram saques por quadrilhas cujas fontes da oposição afirmaram terem sido instigadas por policiais à paisana. Em resposta, os civis organizaram grupos de vigilância para a proteção da vizinhança. 
       Respostas internacionais aos protestos foram sendo misturadas, embora a maioria clamasse por algum tipo de protesto pacífico de ambos os lados em direção a um movimento de reforma. Os governos ocidentais, sobretudo, também expressaram preocupação com a situação. Muitos governos emitiram alertas de viagens e começaram a fazer tentativas de evacuar seus cidadãos do país. A Revolução egípcia, juntamente com os eventos da Tunísia, tem influenciado as manifestações em outros países árabes, incluindo o Iémen, Bahrein, a Jordânica e a Líbia.
        Mubarak dissolveu seu governo e nomeou o militar e ex-chefe da Direção Geral de Inteligência Egípcia, Omar Suleiman, como Vice-Presidente, na tentativa de evitar a dissidência. Mubarak pediu ao ministro da aviação e ex-chefe da Egito Air Force, Ahmed Shafik, para formar um novo governo. Mohamed ElBaradei se tornou uma figura importante da oposição, com todos os principais grupos de oposição apoiando o seu papel de negociador por alguma forma de unidade de governo transitória. Em resposta à crescente pressão, Mubarak anunciou que não iria se re-eleger em setembro.
         Em 11 de fevereiro, o vice-presidente Omar Suleiman anunciou que Mubarak deixaria o cargo como presidente e deixaria o poder para o Conselho Supremo das Forças Armadas.  A junta, liderada pelo efetivo chefe de Estado Mouhamed Hussein Tantawi, anunciou em 13 de Fevereiro que a Constituição seria suspensa, duas casas do parlamento dissolvidas e que os militares iriam governar por seis meses até que as eleições pudessem ser realizadas. O primeiro gabinete, incluindo o primeiro-ministro Ahmed Shafik, continuará a servir na qualidade de governo interino até que um novo governo seja formado. Shafik renunciou ao mandato em 03 de marco de 2011, um dia antes de grandes protestos para levá-lo a demitir-se serem planejados, ele foi substituído por Essam Sharaf, o ex-ministro dos Transportes.
 Outras Fontes:
 Pablo Capistrano, As Incertezas de 79 (Este uma reflexão filosófica sobre a revolução egípcia e outras anteriores).