Os três vídeos que exibo neste post levantam discussões interessantes sobre o que vivenciamos na nossa cultura hoje: uma eclosão de grupos minoritários que, justamente por se enquadrarem como tal, acreditam possuir privilégios sobre os demais grupos (utilizo a palavra "privilégio", pois tudo aquilo exigido por tais grupos já são direitos constitucionais). Com isso, temos um sem número de grupo que procuram firmar sua opinião em detrimentos da dos demais. É nesse ínterim que aparece a reinvidicação por "justiça social", "respeito" e todos aqueles atributos que acreditam lhes serem negados.
Antes de tudo, gostaria de deixar claro aqui que não tenho a pretensão de reduzir todos esses debates a um único viés, por exemplo, o debate das cotas raciais e a liberação do casamento gay. Reconheço que tais discussões possuem dimensões distintas, embora, de fato, possuam como ponto de partida os pontos que mencionei anteriormente. O problema, meu caro amigo, é determinar exatamente quais grupos devemos atender e por quais razões ou, mais ainda, por que ignorar aquilo que outros grupos também requisitam. Segue-se daí, a pergunta fundamental, como lidar com tais medidas e pesos sem incorrer no risco de um relativismo moral? Se as leis existem para que incidam sobre todos, por que então a necessidade de criar leis que defendam somente um determinado grupo? Existem princípios fudnamentais que devem nortear tais decisões? Como determinar qual grupo deve ter suas necessidades aceitas sem que se acarrete a "coitadização" de todos os outros, isto é, sem evitar o velho, "ah, se eles têm, então eu também quero"?
Os dois primeiros vídeos, feitos por um cara que não sei quem é, levantam muita bem essa problemática e as consequências que decorrem desse processo de "coitadização", sobre como os pesos e as medidas que reivindicamos são muitas vezes ignorados e enxergamos apenas um lado da moeda.
O próximo vídeo se trata da entrevista do professor de filosofia Luiz Felipe Pondé, em que este debate sobre a imposição do politicamente correto e o risco de tal medida obscurecer nossa visão de mundo. Proibir o uso de certas palavras como uma forma de impedir alguém de enxergar o outro como inferior, não parece ser a medida mais correta, uma vez que apenas mascara a visão que as pessoas têm umas das outras. É esse o tipo de problema que pensava Kant, ao se perguntar se a moralidade de uma ação se encontra na ação em si ou na intenção que a motivou, isto é, se chamo alguém de afro-descendente mesmo com a intenção de o denegrir, não estarei sendo preconceituoso? Mais uma vez gostaria de reiterar que não partilho de todas as minhas opiniões expostas nos vídeos, no entanto, apenas reconheço a importância de se discuti-las.
Ferréz é paulista, mora numa favela no Capão Redondo e o título de seu primeiro livro é 'Deus foi almoçar'. O que me chamou atenção em sua entrevista foi seu gosto por literatura marginal, um tipo de literatura que nem sempre é reconhecida no ambiente acadêmico, mas que sempre me atraiu pela franqueza e visceralidade, característica que preenche um bocado daquilo que espero da literatura. O que chama atenção na escrita de Ferréz é sua procura por tratar do ambiente em que está inserido, revelando-o de uma maneira extremamente transparente. Na entrevista abaixo, revela que tomou o gosto pela leitura fazendo aquilo que ia na contramão do que a escola ensinava. Feliz/infelizmente, também foi assim que tomei o gosto pela leitura; como disse o Carpinejar, "da escola, o que mais aprendi foi a voltar pra casa". Embora eu não partilhe de todas as ideias do Ferréz, sobretudo do seu ódio contra o capitalismo, sistema etc, compartilho aqui sua entrevista por causa de sua mensagem final/total: só a leitura consegue nos tirar da idiotice crônica que carregamos desde o nascimento, só um bom livro é capaz de nos fazer mudar nosso ponto de vista e olhar o mundo de um modo diferente. No mais, creio valer a pena dar uma olhada:
As redes sociais da Internet desempenharam papel fundamental na revolução.
A Revolução Egípcia de 2011 aconteceu como seqüência de uma revolta popular que começou em 25 de janeiro de 2011. A revolta, na qual os participantes tentaram dar ênfase a uma luta de natureza pacífica, consistia, sobretudo, em uma campanha de resistência civil que apresentou uma série de manifestações, passeatas, atos de desobediência civil e greves trabalhistas. Milhões de manifestantes provindos de uma variedade de diferentes classes sócio-econômicas e religiosas exigiram a derrubada do regime do presidente egípcio, Hosni Mubarak. Apesar de ser predominantemente de natureza pacífica, a revolução não evitou confrontos violentos entre as forças de segurança e os manifestantes. A campanha aconteceu em lugares como Cairo, Alexandria e em outras cidades no Egito, na sequência da Revolução Tunisiana, que viu a derrubada do presidente tunisiano. Em 11 de fevereiro, após semanas de protestos populares e de certa pressão, Mubarak se demitiu do cargo.
As queixas dos manifestantes egípcios se focavam em questões jurídicas e políticas, incluindo a brutalidade da polícia, a lei de estado de emergência, a falta de eleições democráticas, a falta de liberdade de expressão, a corrupção incontrolável, bem como questões econômicas, como o desemprego, a inflação dos preços dos alimentos, e de baixos salários mínimos. As principais demandas dos organizadores do protesto foram o fim do regime de Hosni Mubarak, o fim da lei de emergência, a liberdade, a justiça, um governo de representações não militares e o direito à palavra no que diz respeito à administração dos recursos do Egito. As greves por parte dos sindicatos dos trabalhadores aumentou a pressão exercida sobre os funcionários do governo.
Houve pelo menos 384 mortes e mais de 6.000 pessoas ficaram feridas. A capital do Cairo foi descrita como "uma zona de guerra" e a cidade portuária de Suez foi palco de frequentes confrontos violentos. O governo impôs um toque de recolher, o qual foi desafiado pelos manifestantes e a polícia e os militares não resistiram. A presença da Central de Forças de Segurança da polícia do Egito, leais a Mubarak, foi gradualmente sendo substituída por tropas militares reprimidas. Na ausência da polícia, ocorreram saques por quadrilhas cujas fontes da oposição afirmaram terem sido instigadas por policiais à paisana. Em resposta, os civis organizaram grupos de vigilância para a proteção da vizinhança.
Respostas internacionais aos protestos foram sendo misturadas, embora a maioria clamasse por algum tipo de protesto pacífico de ambos os lados em direção a um movimento de reforma. Os governos ocidentais, sobretudo, também expressaram preocupação com a situação. Muitos governos emitiram alertas de viagens e começaram a fazer tentativas de evacuar seus cidadãos do país. A Revolução egípcia, juntamente com os eventos da Tunísia, tem influenciado as manifestações em outros países árabes, incluindo o Iémen, Bahrein, a Jordânica e a Líbia.
Mubarak dissolveu seu governo e nomeou o militar e ex-chefe da Direção Geral de Inteligência Egípcia, Omar Suleiman, como Vice-Presidente, na tentativa de evitar a dissidência. Mubarak pediu ao ministro da aviação e ex-chefe da Egito Air Force, Ahmed Shafik, para formar um novo governo. Mohamed ElBaradei se tornou uma figura importante da oposição, com todos os principais grupos de oposição apoiando o seu papel de negociador por alguma forma de unidade de governo transitória. Em resposta à crescente pressão, Mubarak anunciou que não iria se re-eleger em setembro.
Em 11 de fevereiro, o vice-presidente Omar Suleiman anunciou que Mubarak deixaria o cargo como presidente e deixaria o poder para o Conselho Supremo das Forças Armadas. A junta, liderada pelo efetivo chefe de Estado Mouhamed Hussein Tantawi, anunciou em 13 de Fevereiro que a Constituição seria suspensa, duas casas do parlamento dissolvidas e que os militares iriam governar por seis meses até que as eleições pudessem ser realizadas. O primeiro gabinete, incluindo o primeiro-ministro Ahmed Shafik, continuará a servir na qualidade de governo interino até que um novo governo seja formado. Shafik renunciou ao mandato em 03 de marco de 2011, um dia antes de grandes protestos para levá-lo a demitir-se serem planejados, ele foi substituído por Essam Sharaf, o ex-ministro dos Transportes.